O papel da vitamina A em pacientes que sofrem com fibrose cística

Principal objetivo do estudo

Os autores revisaram as evidências sobre o efeito de suplementos regulares de vitamina A ou outras substâncias que contenham a vitamina (carotenos ou outros retinoides) em crianças e adultos com fibrose cística.

Vitamina A e fibrose cística

Em pessoas com fibrose cística, apenas uma pequena proporção de algumas vitaminas (como a vitamina A), pode ser absorvida de forma eficaz pelo organismo e isso pode levar a problemas causados pela deficiência de vitaminas.

A falta da vitamina A no corpo (deficiência de vitamina A), pode causar complicações na saúde como problemas oculares, de pele e respiratórios, além disso também está associada a adversidades gerais. Portanto, as pessoas que sofrem com fibrose cística geralmente são suplementadas com preparações regulares de vitamina A desde a infância.

No entanto, o excesso da vitamina no organismo pode causar problemas ósseos e hepáticos. Sabe-se que níveis excessivos de caroteno causam carotenaemia, que é um amarelecimento reversível e inofensivo da pele, enquanto ainda não é possível saber se a falta do caroteno causa manifestações adversas em indivíduos com níveis normais de vitamina A.

Características do estudo

O estudo havia sido atualizado pela última vez no dia 01 de junho de 2018.

Não foram incluídos estudos que comparassem a vitamina A (ou outros suplementos retinoides) com o placebo (medicamento simulado que não contém a vitamina), mas os autores encontraram uma pesquisa comparando a suplementação de beta-caroteno (precursor da vitamina A) ao placebo.

Um total de 24 pessoas com fibrose cística (com idades entre 6,7 e 27,7 anos) foram divididas em grupos aleatórios e tratadas com cápsulas de β-caroteno (em altas doses por um períodos de três meses, seguida de baixas doses por mais três meses) ou foram tratadas com placebo (por seis meses).

Principais resultados

A revisão do estudo não incluiu nenhuma pesquisa sobre suplementação de vitamina A.

O único estudo acrescentado revelou que a suplementação de altas doses de beta-caroteno por três meses levou a menos dias em que as pessoas com fibrose cística precisaram tomar antibióticos (em comparação com o placebo), mas esse não foi o caso na seção dos três meses seguintes da pesquisa, quando os pacientes que estavam no grupo de suplementação de dose de beta-caroteno foram comparados ao grupo placebo.

Outras medidas de resultados clínicos (crescimento, estado nutricional e função pulmonar) não mostraram diferenças estatísticas significativas entre os grupos de tratamento e placebo. Nenhum efeito colateral foi identificado.

Os outros resultados da revisão atual, como sintomas de deficiência de vitamina A, mortalidade, toxicidade e qualidade de vida, não foram relatados na pesquisa.

Qualidade das evidências encontradas

Os responsáveis pela revisão só puderam incluir um estudo e o mesmo teve várias limitações. Isso reflete diretamente na avaliação de evidências de baixa qualidade, julgadas utilizando o sistema de classificação de evidências específicas (GRADE). Então os autores a definiram como uma evidência de baixa certeza.

Nem todas as medidas de desfecho foram relatadas após cada dose de suplementação, isso significa que os resultados devem ser vistos com certa cautela, pois algum beta-caroteno do período de alta dose provavelmente ainda estava presente no sangue durante o período de baixa dose de suplementação.

Conclusão dos autores do estudo

Como nenhuma pesquisa sobre suplementação de vitamina A foi incluída na revisão, não é possível tirar conclusões sobre o uso rotineiro de suplementos de vitamina A. Devido às limitações do estudo incluído da suplementação de beta-caroteno, também não há conclusões definitivas sobre seu uso. Até que mais evidências estejam disponíveis, diretrizes locais devem ser seguidas em relação à suplementação.

Uma vez que não foram identificados estudos controlados randomizados ou quase randomizados sobre suplementação com retinoide, também não se pode tirar nenhuma conclusão sobre a suplementação de vitamina A em pessoas com fibrose cística.

Além disso, devido às restrições metodológicas no estudo incluído, também refletidas nas evidências de baixa qualidade julgadas após o sistema de classificação de evidências específicas (GRADE), não há conclusões claras sobre a suplementação de β-caroteno. Até que dados adicionais estejam disponíveis, devem ser seguidas as diretrizes específicas de país ou região com relação a essas práticas.

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O estudo original foi publicado na Cochrane Library

* “Vitamin A and beta (β)‐carotene supplementation for cystic fibrosis” – 2020

Autores do estudo: Jorrit JV Vries, Anne B Chang, Catherine M Bonifant, Elizabeth Shevill, Julie M Marchant – 10.1002/14651858.CD006751.pub5

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