Grelina para perda de apetite e peso em pacientes com câncer

Sessenta a oitenta por cento dos pacientes com câncer sofrem de perda de apetite e peso, o que por sua vez está associado à diminuição da expectativa e qualidade de vida. A grelina, um hormônio da fome, é secretada pelo estômago e outros órgãos do corpo.

Estudos demonstraram que a grelina pode ser usada no tratamento da perda de apetite e peso em pacientes com câncer. No entanto, a eficácia e segurança da grelina nessas pessoas não foram avaliadas.

Na revisão, a equipe teve como objetivo examinar todas as evidências sobre a eficácia e segurança da grelina na melhora do apetite e do peso corporal em pacientes com câncer com perda de apetite e peso.

Não há boas evidências para apoiar ou rejeitar a sugestão de que a grelina seja útil no tratamento de pacientes com câncer com perda de apetite e peso. Não há evidências suficientes para recomendá-lo para a prática clínica.

Características do estudo

Os autores encontraram três estudos que recrutaram um total de 59 pacientes com câncer (37 homens e 22 mulheres) com idades entre 54 e 78 anos.

Quarenta e sete pacientes com câncer completaram o tratamento. Os estudos diferiram no desenho do estudo e incluíram pessoas com diversos tipos de câncer. Os estudos também diferiram na dosagem, via de injeção, frequência e duração do tratamento.

Um estudo comparou a grelina com um placebo, enquanto dois estudos compararam diferentes doses de grelina (dose mais alta com dose mais baixa).

Resultados de interesse para pacientes com câncer com perda de apetite e peso, como melhora na ingestão de alimentos e melhora no peso corporal, não foram relatados adequadamente.

Todos os três estudos incluídos foram financiados por agências governamentais. Um estudo recebeu uma bolsa adicional de uma empresa farmacêutica.

Resultados principais

Os autores selecionaram 926 referências individuais e identificaram três estudos que atendiam aos critérios de inclusão. Cinquenta e nove participantes (37 homens e 22 mulheres) com idades entre 54 e 78 anos foram randomizados inicialmente, 47 participantes completaram o tratamento.

Um estudo teve um desenho paralelo e dois tiveram um desenho cruzado. Os estudos incluíram pessoas com vários tipos de câncer e também diferiram na dosagem, via de administração, frequência e duração do tratamento.

Um ensaio, que comparou a grelina com o placebo, descobriu que a grelina melhorou a ingestão de alimentos (evidências de qualidade muito baixa) e não teve eventos adversos (evidências de qualidade muito baixa).

Devido à indisponibilidade de dados, a equipe não foi capaz de relatar comparações para grelina versus nenhum tratamento ou modalidades alternativas de tratamento experimental, ou grelina em combinação com outros tratamentos ou análogos da grelina/miméticos da grelina/potencializadores da grelina.

Dois estudos compararam uma dose mais alta de grelina com uma dose mais baixa de grelina, no entanto, devido às diferenças nos desenhos dos estudos e à grande diversidade no tratamento fornecido, não houve a reunião dos resultados.

Em ambos os ensaios, a ingestão de alimentos não diferiu entre os participantes em altas e baixas doses de grelina. Nenhum dos estudos incluídos avaliou dados sobre o peso corporal.

Um estudo relatou eventos adversos mais elevados com uma dose mais alta em comparação com uma dose mais baixa de grelina.

Todos os estudos estavam em alto risco de viés de atrito e viés para o tamanho do estudo. O risco de viés em outros domínios não estava claro ou era baixo.

Os autores classificaram a qualidade geral das evidências para os desfechos primários (ingestão de alimentos, peso corporal, eventos adversos) como muito baixa. Foi preciso rebaixar a qualidade da evidência devido à falta de dados, risco alto ou incerto de viés dos estudos e tamanho pequeno do estudo.

Conclusões primárias

Foram encontradas evidências insuficientes de que o uso de grelina demonstrou diferenças na ingestão alimentar. Os autores não localizaram evidências de que o uso de grelina isoladamente ou em combinação fizesse qualquer diferença no peso corporal.

A equipe não pôde chegar a nenhuma conclusão sobre seus efeeitos colaterais. A quantidade limitada de informações significa que não é possível tirar conclusões.

Qualidade da evidência

A qualidade das evidências de estudos foram classificadas usando quatro níveis: alto, moderado, baixo ou muito baixo. Evidências de alta qualidade significam que pode-se ficar muito confiante nos resultados.

Evidências de qualidade muito baixa significam que ainda há muita incerteza sobre os resultados. A evidência nesta revisão foi de qualidade muito baixa.

Conclusão dos autores

Não existem evidências suficientes para apoiar ou refutar o uso de grelina em pessoas com caquexia cancerosa.

Ensaios controlados randomizados com potência adequada com foco na avaliação da segurança e eficácia da grelina em pessoas com caquexia de câncer são necessários.

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O estudo original foi publicado na Cochrane Library

* “Ghrelin for the management of cachexia associated with cancer” – 2020

Autores do estudo: Khatib MN, Shankar AH, Kirubakaran R, Gaidhane A, Gaidhane S, Simkhada P, Quazi Syed Z – 10.1002/14651858.CD012229.pub2

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