Antioxidantes podem melhorar chance de gravidez em mulheres subférteis

Muitas mulheres subférteis em tratamento tomam suplementos dietéticos na esperança de melhorar sua fertilidade. Este pode ser um momento muito estressante para elas e seus parceiros.

É importante que os casais recebam evidências de alta qualidade que lhes permitam tomar decisões com embasamento sobre a eficácia da ingestão de um antioxidante suplementar durante o tratamento de fertilidade no aumento das suas chances ou se ele pode causar efeitos adversos.

Isso é especialmente importante, pois a maioria dos suplementos antioxidantes não são controlados por regulamentação.

A revisão de estudo teve como objetivo avaliar se os suplementos com antioxidantes orais aumentam as chances de uma mulher subfértil engravidar.

Objetivo da revisão do estudo

A revisão investigou se os antioxidantes orais suplementares em comparação com o placebo, sem tratamento/tratamento padrão ou com outro antioxidante melhoram os resultados de fertilidade para mulheres subférteis. O ‘tratamento padrão’ inclui menos de 1 mg de ácido fólico.

Características do estudo

A revisão inclui 63 ensaios clínicos randomizados que comparam antioxidantes com placebo ou sem tratamento/tratamento padrão, ou com outro antioxidante, em um total de 7.760 mulheres.

Critério de seleção

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (RCTs) que compararam qualquer tipo, dose ou combinação de suplemento antioxidante oral com placebo, nenhum tratamento ou tratamento com outro antioxidante, entre mulheres atendidas em uma clínica reprodutiva.

Os autores fizeram a exclusão de estudos comparando antioxidantes com medicamentos de fertilidade isolados e estudos que incluíam apenas mulheres férteis atendidas em uma clínica de fertilidade por causa da infertilidade do parceiro masculino.

Coleta e análise de dados

A equipe utilizou procedimentos metodológicos padrão determinados pela Cochrane. O desfecho primário da revisão foi nascimento vivo. Desfechos secundários incluíram taxas clínicas de gravidez e eventos adversos.

Resultados principais

Não há certeza se o uso de antioxidantes aumentará os nascidos vivos, pois as evidências eram de qualidade muito baixa.

Com base em nos resultados obtidos, os autores esperaram que de 100 mulheres subférteis que não tomavam antioxidantes, 20 teriam um bebê, em comparação com 24 a 36 mulheres em cada 100 que teriam um bebê se tomassem antioxidantes.

Evidências de baixa qualidade sugerem que antioxidantes podem estar associados ao aumento das taxas clínicas de gravidez.

Os efeitos adversos foram mal relatados, mas o uso de antioxidantes não pareceu levar a mais abortos espontâneos, partos múltiplos, efeitos digestivos ou gravidez ectópica.

Evidências de baixa qualidade sugerem que não há diferença nas taxas de nascidos vivos ou gravidez clínica ao comparar uma dose mais baixa de melatonina com uma dose mais alta.

Aqui, a equipe confiou que de 100 mulheres subférteis que não tomavam melatonina em baixas doses, 24 teriam um bebê, em comparação com 12 a 40 mulheres em cada 100 que teriam um bebê se tomassem melatonina em altas doses.

Três estudos relataram aborto espontâneo na comparação antioxidante versus antioxidante (duas doses usadas de melatonina e uma comparou N-acetilcisteína versus L-carnitina).

Não houve aborto espontâneo em nenhum dos testes com melatonina. Gravidez múltipla e distúrbios gastrointestinais não foram relatados e gravidez ectópica foi relatada por apenas um ensaio, sem eventos.

O estudo comparando N-acetilcisteína com L-carnitina não relatou taxa de nascidos vivos. Evidências de qualidade muito baixa não mostram indícios de diferença na gravidez clínica.

Evidências de baixa qualidade não mostram diferença no aborto. O estudo não relatou gravidez múltipla, distúrbios gastrointestinais ou gravidez ectópica.

Qualidade da evidência

A qualidade geral da evidência foi limitada por sérios riscos de viés associados a relatórios inadequados de métodos, imprecisão e inconsistência.

Implicações para a Prática

Na revisão, existem evidências de baixa a muito baixa qualidade para mostrar que tomar um antioxidante pode trazer benefícios para mulheres subférteis.

Não há evidências suficientes para tirar conclusões sobre os eventos adversos. No momento, as evidências são limitadas em apoio aos antioxidantes orais suplementares para mulheres subférteis.

Conclusões dos autores

Em resumo, na revisão as evidências foram de baixa a muito baixa qualidade para mostrar que tomar um antioxidante pode beneficiar mulheres subférteis.

No geral, não existe evidência de aumento do risco de aborto espontâneo, partos múltiplos, efeitos gastrointestinais ou gravidez ectópica, mas ela foi de qualidade muito baixa.

No momento, as evidências podem ser definidas como limitadas em apoio aos antioxidantes orais suplementares para mulheres subférteis.

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O estudo original foi publicado na Cochrane Library

* “Antioxidants for female subfertility” – 2020

Autores do estudo: Showell MG, Mackenzie-Proctor R, Jordan V, Hart RJ – 10.1002/14651858.CD007807.pub4

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