Consumo de álcool está associado à fibrilação atrial

De acordo com um grande estudo observacional, apesar dos supostos benefícios cardiovasculares do consumo leve, pequenas quantidades de álcool ainda estavam associadas à fibrilação atrial incidente (Afib).

O risco elevado de fibrilação atrial foi visto com apenas uma bebida por dia, esta que contém 12g de etanol. se a bebida era 120ml de vinho (quatro quintos de uma taça padrão), 330ml de cerveja (quase a quantidade de uma lata), ou 40ml de destilados (cerca de uma dose), comentou Renate Schnabel, MD, da Universidade do Coração e Centro Vascular de Hamburgo, na Alemanha, e colegas.

Mesmo o consumo de álcool sendo muit baixo, cerca de 2g por dia, ele foi marginalmente associado ao risco de fibrilação atrial em um período de quase 14 anos de acompanhamento, escreveram em seu estudo publicado online no European Heart Journal.

Os resultados foram concretos para ambos os gêneros. A associação entre o álcool e a fibrilação atrial de início recento continuou depois de ajuste para histórico de insuficiência cardíaca e os biomarcadores cardíacos  NT-proBNP e hs-troponina I.

“Nosso grande estudo comunitário apresenta de forma clara que o consumo de álcool reduzido já está relacionado ao do risco de elevado fibrilação atrial incidente. Percebemos uma associação não linear crescente entre a ingestão de álcool e fibrilação atrial incidente, independentemente de razões de confusão comuns”, destacaram os pesquisadores do estudo.

A equipe não localizou dados na literatura que estava disponível sobre o consumo de álcool reduzido e a associação com bebidas alcoólicas e a fibrilação atrial.

“Junto com um estudo randomizado recente mostrando que uma redução na ingestão de álcool levou a uma redução na recorrência de fibrilação atrial, esses dados sugerem que reduzir o consumo de álcool pode ser importante para a prevenção e o tratamento de fibrilação atrial”, diise Jorge Wong, MD, MPH e David Conen, MD, MPH, ambos do Population Health Research Institute da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário.

“O benefício clínico de ingerir quantidades baixas de álcool precisa de mais estudos, principalmente ensaios randomizados que sejam feitos de maneira adequada. Até o momento, cada pessoa tem que tomar sua própria decisão sobre ingerir até uma bebida por dia, para entender se vale a pena e é seguro”, escreveram eles em um editorial que o acompanhava.

Características do estudo

Os autores do estudo conciliaram cinco coortes da comunidade da Europa, que contaram com 107.845 adultos – que foram posteriormente reduzidos para 100.092 (idade mediana de 47,8% e 48,3% eram homens) após excluir particpantes com história existente de fibrilação atrial.

O consumo autorrelatado de álcool foi em média 3g (um quarto de uma bebida) por dia.

Baseados em questionários e dados hospitalares, 5.854 pessoas sofreram com fibrilação atrial ao longo de um período media do de 13,9 anos.

Uma relação em forma de J entre beber e insuficiência cardíaca incidente também foi encontrada: o consumo de menos de 20 g de álcool (1,6 doses) por dia foi associado a risco reduzido, enquanto o consumo maior foi associado a risco aumentado, descobriram os autores do estudo.

A confiança do estudo em padrões de consumo autorrelatados foi uma limitação importante, reconheceu o grupo de Schnabel. Os pesquisadores também disseram que eles só tinham níveis de biomarcadores no início do estudo, e que alguns casos de fibrilação atrial podem ter passado despercebidos devido à falta de triagem sistemática entre os participantes do estudo.

Além disso, “o estudo não falou sobre os riscos absolutos de fibrilação atrial relacionados com níveis menores de ingestão de álcool. Esta questão fundamental deve ser levada em consideração ao também levar em conta as associações potencialmente benéficas do consumo moderado de álcool com outros desfechos cardiovasculares”, disseram Wong e Conen.

“Os efeitos do álcool na eletrofisiologia atrial provavelmente são dependentes de vários fatores, como as mudanças na repolarização atrial, tônus ​​vagal e lesão miocárdica direta e fibrose. São necessários mais ensaios avaliando como o álcool afeta a eletrofisiologia atrial por meio dessas vias potenciais são necessários”, concluíram editorialistas.

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O estudo original foi publicado no European Heart Journal

* “Alcohol consumption, cardiac biomarkers, and risk of atrial fibrillation and adverse outcomes” – 2021

Autores do estudo: Dora Csengeri, Ngoc-Anh Sprünker, Augusto Di Castelnuovo, Teemu Niiranen, Julie Kk Vishram-Nielsen, Simona Costanzo, Stefan Söderberg, Steen M Jensen, Erkki Vartiainen, Maria Benedetta Donati, Christina Magnussen, Stephan Camen, Francesco Gianfagna, Maja-Lisa Løchen, Frank Kee, Jukka Kontto, Ellisiv B Mathiesen, Wolfgang Koenig, Blankenberg Stefan, Giovanni de Gaetano, Torben Jørgensen, Kari Kuulasmaa, Tanja Zeller, Veikko Salomaa, Licia Iacoviello, Renate B Schnabel – 10.1093/eurheartj/ehaa953

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