Qual o poder da hidroxicloroquina para combater o coronavírus?

A empolgação sobre o poder da hidroxicloroquina para combater o coronavírus, um medicamento contra a malária está aumentando as esperanças, principalmente depois que o Presidente Americano Donald Trump divulgou publicamente que testes estão sendo realizados em alguns hospitais do país.

Mas a evidência de que medicamentos para a malária podem ajudar é escassa, e uma corrida as farmácias está complicando o acesso de pessoas que de fato precisam deles para artrite reumatóide ou lúpus.

Hidroxicloroquina para combater o coronavírus

A cloroquina e uma droga semelhante, a hidroxicloroquina, mostraram sinais encorajadores em pequenos testes iniciais contra o coronavírus. Mas os medicamentos têm efeitos colaterais importantes, uma razão pela qual os cientistas não querem dar a eles sem evidências de seu valor, mesmo nesta emergência.

No entanto, esses estudos preliminares despertaram intenso interesse depois que Trump twittou que a hidroxicloroquina e um antibiótico poderiam ser “uma das maiores mudanças na história da medicina” e deveriam “ser imediatamente utilizados”. Ele citou um estudo francês que deu a combinação a seis pacientes.

Alguns médicos e políticos franceses também estão pressionando para expandir o uso da hidroxicloroquina. O prefeito da cidade francesa de Nice, Christian Estrosi, disse na televisão que estava no sexto dia de tratamento e tem “a sensação de que fui curado”.

Os cientistas, no entanto, alertam sobre o aumento de falsas esperanças e afirmam que são necessários grandes estudos para provar que os medicamentos são seguros e eficazes contra o coronavírus e para mostrar que as pessoas não teriam se recuperado tão bem sozinhas.

No momento, não existe nenhum medicamento que pareça tão avassalador nos ensaios clínicos em estágio inicial que podemos dizer que é altamente promissor.

As drogas e seus efeitos secundários

A cloroquina é usada no tratamento da malária desde os anos 30. A hidroxicloroquina surgiu uma década depois e tem menos efeitos colaterais. Este último é vendido na forma genérica e sob a marca Reuquinol, para uso contra várias doenças.

Os medicamentos podem causar problemas no ritmo cardíaco, pressão arterial gravemente baixa e danos nos músculos ou nos nervos. O rótulo do Plaquenil alerta para possíveis danos à retina, especialmente quando usado em doses mais altas, por períodos mais longos e com outros medicamentos, como o medicamento para câncer de mama tamoxifeno.

“A cloroquina é uma droga extremamente tóxica com um péssimo perfil de efeitos colaterais. A hidroxicloroquina é muito mais segura, mas seus efeitos colaterais ainda são significativos. Se não estiver muito claro que é benéfico, dar esse medicamento a um paciente gravemente doente parece arriscado”, escreveu Meghan May, microbiologista da Faculdade de Medicina Osteopática da Universidade da Nova Inglaterra, em Biddeford, Inglaterra.

A evidência

É aí que entram as evidências – e, até agora, não há muitas. Em testes em laboratório, a hidroxicloroquina reduziu a capacidade do coronavírus de entrar nas células, relataram pesquisadores na semana passada na revista Nature Medicine. Isso não significa que faria o mesmo em pessoas ou que eles poderiam tolerar as doses testadas em laboratório.

Um relatório da China afirmou que a cloroquina ajudou mais de 100 pacientes em 10 hospitais, mas eles tinham vários graus de doença e foram tratados com várias doses por diferentes períodos de tempo. Eles também podem ter se recuperado sem a droga – não havia grupo de comparação.

A Hidroxicloroquina para combater o coronavírusO estudo francês atraiu mais atenção. Os médicos deram hidroxicloroquina a 26 pessoas com infecções confirmadas por coronavírus, incluindo algumas sem sintomas. Seis também receberam o antibiótico azitromicina.

Alguns dos 26 não foram contabilizados nos resultados finais porque não concluíram o estudo – o que é conhecido como “perda de acompanhamento” -, mas incluíam três que pioraram e foram enviados para terapia intensiva, um que morreu um dia após testes posteriores, negativo para o vírus e alguém que interrompeu o tratamento por causa de náusea.

Após seis dias, nenhum paciente que recebeu hidroxicloroquina mais azitromicina teve vírus detectado em zaragatoas na parte de trás do nariz, contra 57% daqueles que receberam o medicamento contra a malária e 12,5% de alguns outros pacientes que não receberam nenhum medicamento.

Isso é encorajador, mas muitas coisas poderiam ter afetado o resultado, como a forma como as pessoas estavam doentes, quando foram tratadas, que outros tratamentos receberam, bem como sua idade, sexo e condições de saúde subjacentes.

“É um estudo muito fraco… deixando-nos em suspensão se a estratégia de combinação tem algum mérito. Sua maior limitação: uma queda no vírus detectado não significa que os medicamentos melhorem a sobrevivência ou encurtem a doença. Pode muito bem ser que a droga esteja reduzindo o derramamento viral, mas não tendo impacto no curso clínico desses pacientes”, disse o Dr. Eric Topol, cardiologista e chefe do Instituto Translacional de Pesquisa Scripps, em San Diego, EUA.

Os estudos já iniciaram no Brasil

O Ministério da Saúde através de uma recomendação da Presidência da República, encaminhou ao laboratório químico de Exército Brasileiro, que a produção da hidroxicloroquina seja ampliada imediatamente, e que instituições como o laboratório EMS e o Hospital Albert Einstein, sejam abastecidos regularmente durante os testes iniciais.

Vale a pena destacar que os testes sobre o uso da hidroxicloroquina para combater o coronavírus ainda são preliminares e que a prescrição deve ser evitada neste momento.

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