Hidroxicloroquina entre pacientes com lúpus eritematoso sistêmico

Pesquisadores relataram que o monitoramento dos níveis sanguíneos de hidroxicloroquina (HCQ) entre pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) pode auxiliar na preservação dos efeitos antitrombóticos da droga sem aumentar o risco de toxicidade retinal.

As taxas de trombose ficaram 13% menores para cada aumento de 200 ng/mL nos níveis sanguíneos médios gerais de HCQ, para uma razão de taxas de 0,87 depois do ajuste para idade, etnia, hipertensão, anticoagulante lúpico e níveis de complemento C3.

Reduções significativas também foram percebidas especificamente para a medição de nível de sangue mais recente, com uma razão de taxa de 0,87, disse Michelle Petri, MD, e colegas da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins em Baltimore.

Além disso, conforme mostrado em seu estudo online na Arthritis & Rheumatology, as taxas de eventos trombóticos diminuíram 69% em pacientes com LES cujos níveis sanguíneos médios de HCQ excederam 1.068 ng/mL em comparação com aqueles cujos níveis estavam abaixo de 648 ng/mL, para um razão de taxa de 0,31.

A trombose é uma grande preocupação no lúpus eritematoso sistêmico, associada à morbidade e mortalidade, com atividade da doença, hipertensão, anormalidades renais e anticorpos antifosfolipídeos, todos desempenhando um papel.

Diversos estudos demonstraram que o HCQ diminui as chances de eventos trombóticos no LES, com seus efeitos antiplaquetários, redução dos anticorpos antifosfolipídeos e melhora da função renal. A droga também reduz os riscos de crises e mortalidade.

O HCQ tem sido usado por mais de meio século e, embora o regime de dosagem ideal não tenha sido estabelecido, os regimes de dosagem convencionais estendem-se até 6,5 mg/kg de peso corporal real.

Em 2016, a American Academy of Ophthalmology recomendou que o HCQ fosse dado em dosagens menores que 5 mg/kg devido a preocupações com a toxicidade retinal. Um estudo subsequente descobriu que a lesão de órgão a curto prazo não estava relacionada com essas reduções de dose, mas esse estudo não considerou os níveis da droga ou eventos trombóticos.

Um outro estudo prospectivo, também pela equipe de Petri, demonstrou que os pacientes com o tercil mais alto de níveis sanguíneos de HCQ tinham um risco aumentado de retinopatia futura, “indicando um papel no monitoramento dos níveis sanguíneos para reduzir a toxicidade”. O tercil mais alto do nível de HCQ no sangue nessa análise variou de 1.177 a 3.513 ng/mL.

Para explorar os benefícios potenciais do monitoramento de rotina dos níveis sanguíneos para equilibrar a prevenção de trombose com o risco de retinopatia, Petri e coautores examinaram os dados longitudinais do Hopkins Lupus Cohort, estabelecido há 35 anos.

Características do estudo

A análise contou com 739 pacientes, 93% dos quais eram mulheres, a idade mediana era 43. Um total de 43% dos participantes eram afro-americanos e 46% eram brancos.

Era preciso que os participantes tivessem pelo menos uma medição de nível de sangue HCQ feita no laboratório clínico Johns Hopkins.

As manifestações comuns da doença incluíram artrite em 69% dos pacientes, úlceras orais/nasais em 53%, fotossensibilidade em 49%, proteinúria em 44% e erupção malar em 43%. Os achados laboratoriais contavam com anticorpos antinucleares em 97%, anti-DNA de fita dupla em 61%, anticoagulante lúpico em 21%, leucopenia em 51% e trombocitopenia em 18%.

O acompanhamento foi de 2.330 pessoas-ano, 38 pacientes sofreram eventos trombóticos (5,1%), com 18 tendo eventos trombóticos venosos, como trombose venosa profunda/embolia pulmonar e 20 tendo eventos arteriais, incluindo acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio.

Os tercis dos níveis sanguíneos de HCQ foram determinados para duas medições separadas: nível médio geral e nível mais recente. Para o nível médio, os tercis foram 0-648 ng/mL, 648-1,068 ng/mL e ≥1,068 ng/mL, enquanto para o nível mais recente, os tercis foram 0-667, 668-1,191 e ≥1,192 ng/mL.

As análises de Forest plot revelaram que um nível sanguíneo médio de 1.068 ng/mL e um nível sanguíneo mais recente de 1.192 ng/mL foram protetores contra trombose, com taxas de taxa ajustadas de 0,34 e 0,40 – “com o último valor P faltando apenas a significância estatística”, disseram os autores.

A redução geral da taxa de eventos trombóticos de 69% permaneceu estatisticamente significativa após o ajuste para idade, etnia, hipertensão, anticoagulante lúpico e complemento C3, com uma razão de taxa de 0,34, relataram os pesquisadores.

“Juntos, esses dados sugerem que os níveis de hidroxicloroquina no sangue total foram preditivos de eventos trombóticos no lúpus eritematoso sistêmico de uma forma dependente da dose e sugerem uma oportunidade para abordagens de dosagem de drogas personalizadas além da recomendação de dosagem empírica”, observou a equipe.

Eles disseram que o estudo também mostra que seguir a recomendação de que as doses diárias sejam mantidas abaixo de 5 mg/kg por dia pode influenciar nas propriedades antitrombóticas da droga. “Almejar o nível de hidroxicloroquina no sangue para 1.068 ng/mL foi associado à proteção. Deve ser possível atingir esse nível e ainda evitar o ‘tercil superior’ que provamos anteriormente estar associado à retinopatia”, destacarm os pesquisadores.

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O estudo original foi publicado no Arthritis & Rheumatology

* “Higher Hydroxychloroquine Blood Levels Are Associated with Reduced Thrombosis Risk in Systemic Lupus Erythematosus” – 2021

Autores do estudo: Michelle Petri, Maximilian F. Konig, Jessica Li, Daniel W. Goldman – 10.1002/art.41621

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