Estudo revela o papel molecular de um micróbio na doença de Crohn!

Mudanças no microbioma intestinal estão há muito tempo ligados à doença de Crohn e outras formas de doença inflamatória intestinal (DII), mas a biologia por trás dessas ligações permanece obscura. Pesquisadores do Broad Institute, Massachusetts General Hospital (MGH) e Harvard Medical School (HMS) descobriram que uma bactéria, Ruminococcus gnavus, que está associada à doença de Crohn, libera um certo tipo de polissacarídeo (ou uma cadeia de moléculas de açúcar) que desencadeia em uma resposta imune.

Novas descobertas sobre a doença de Crohn

Este estudo, publicado no Proceedings of National Academy of Sciences, é um dos primeiros estudos a aprofundar os mecanismos subjacentes a uma associação bem conhecida entre um micróbio intestinal e doença humana.

“Esta é uma molécula distinta que representa o potencial elo entre os micróbios intestinais e uma doença inflamatória. Mais e mais estudos sobre as correlações entre as bactérias na microbiota e na doença foram divulgados, alguns eram muito fortes, alguns eram fracos, mas na verdade eram todas correlações”, disse o primeiro autor do estudo Dr Matthew Henke, pesquisador membro associado do Instituto Broad Broad, Jon Clardy, da Harvard Medical School.

Trabalhos anteriores provaram que durante algumas crises da doença de Crohn, a abundância de Ruminococcus gnavus pode saltar de menos de 1% da microbiota intestinal para mais de 50%.

“Esse experimento foi um experimento de correlação. ‘A’ está correlacionado com ‘B’. Agora, o desafio era chegar à causalidade”, disse o Dr Ramnik Xavier, segundo autor do estudo e pesquisador membro do Departamento de Biologia Molecular do MGH e co-diretor do Centro de Informática e Terapêutica de Microbiomas do Massachusetts Institute of Technology.

Os pesquisadores queriam determinar se a ligação entre Crohn e a bactéria Ruminococcus gnavus era mais do que uma correlação. Seria simplesmente uma associação ou havia mecanismos moleculares pelos quais as bactérias estavam contribuindo para as crises de doenças?

Após o crescimento de colônias de Ruminococcus gnavus em laboratório, eles caracterizaram todas as moléculas produzidas pelas bactérias, para ver se havia alguma coisa pró-inflamatória. Um polissacarídeo composto principalmente de ramnose, um açúcar não familiar ao sistema imunológico humano, antagonizou o sistema imunológico ao ativar a citocina TNF-α. Usando uma variedade de técnicas emprestadas da química, o Dr Henke determinou que o polissacarídeo era composto de dois açúcares diferentes: cadeias de glicose salientes de uma coluna composta de ramnose.

Ruminococcus gnavus e doneça de Crohn
Ruminococcus gnavus – Imagem tirada e gentilmente cedida ao 4Medic pelo Dr. Matthew Henke.

Depois de descobrir a estrutura, eles pesquisaram o genoma da bactéria Ruminococcus gnavus e identificaram os genes responsáveis ​​por produzir o polissacarídeo.

“Se pudermos rastrear um único paciente e ver que os genes desse polissacarídeo se manifestam antes que os sintomas da doença piorem, isso é realmente poderoso, isso sugere que talvez o polissacarídeo esteja contribuindo para os surtos de doenças”, disse o Dr Henke.

Se esta teoria se provar verdadeira, os pesquisadores poderiam estar a caminho de desenvolver novos tratamentos para as doenças inflamatórias de Crohn e afins que têm como alvo o crescimento da bactéria Ruminococcus gnavus ou sua capacidade de produzir esse polissacarídeo inflamatório.

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