Aterectomia pode ser a melhor abordagem para doença arterial perfiférica

A doença arterial periférica (DAP) é um estreitamento ou bloqueio das artérias nas pernas. Pessoas com essa condição podem sentir dor ao caminhar, dor em repouso ou ulceração na perna devido ao suprimento insuficiente de sangue.

As opções de tratamento são: cirurgia, usando um vaso sanguíneo ou enxerto para contornar a seção estreitada ou bloqueada da artéria, angioplastia com balão, quando um balão desinflado é passado para o estreitamento na extremidade de um fio e, em seguida, inflado para esticar a artéria e stent (usado junto com a angioplastia com balão), que mantém aberta a seção esticada por balão para suporte extra.

Uma opção final, menos comumente usada, é uma técnica chamada aterectomia. Este tratamento corta ou remove a deposição de gordura (ateroma) dentro da artéria que está causando o estreitamento ou oclusão.

Critério de seleção

Os autores incluíram todos os ensaios clínicos randomizados que compararam a aterectomia com outros tratamentos estabelecidos.

Todos os participantes tinham DAP sintomático com claudicação ou isquemia crítica de membro e evidência de doença arterial de membro inferior.

Coleta e análise de dados

Dois revisores selecionaram estudos para inclusão, extraíram dados, avaliaram o risco de viés e utilizaram os critérios GRADE para avaliar a certeza das evidências.

Todas as divergências foram solucionadas por meio de discussão. Os resultados de interesse foram: permeabilidade primária (em seis e 12 meses), mortalidade por todas as causas, eventos cardiovasculares fatais e não fatais, taxas de falha técnica inicial, taxas de revascularização do vaso alvo (TVR; em seis e 12 meses); e complicações.

Principais resultadose

Na revisão, a equipe comparou a aterectomia com as outras opções de tratamento descritas acima. Eles também examinaram os dois grupos para avaliar se o uso de balões de liberação de drogas ou stents teve impacto sobre os resultados dos participantes. Foram encontrados sete estudos com um total de 527 participantes.

Seis estudos compararam a aterectomia com a angioplastia com balão (372 participantes, 427 lesões tratadas). Os pesquisadores não observaram nenhuma diferença clara entre os procedimentos ao examinar a patência da artéria em seis e 12 meses, risco de morte, taxas de falha do procedimento inicial, necessidade de retratamento da artéria, risco de formação de coágulos (embolização), taxas de complicações ou risco de amputação.

Eles descobriram que a aterectomia foi associada a menores taxas de implante de stent de emergência durante o procedimento e menores pressões de insuflação do balão quando comparada com a angioplastia por balão isolada. Não há nenhuma diferença nos resultados dependendo se os balões eram liberadores de drogas ou não.

Um estudo comparou a aterectomia com a angioplastia com balão e stent primário (155 participantes e 155 lesões tratadas). Este estudo não relatou patência primária.

Não existe nenhuma diferença clara entre os braços de tratamento em risco de morte, taxas de complicações, eventos cardiovasculares e a necessidade de retratar a artéria. Este estudo não encontrou eventos de falha de procedimento inicial,

A equipe também não identificou estudos que comparassem a cirurgia de revascularização com a aterectomia.

Certeza da evidência

No geral, a certeza nas evidências é muito baixa, o que significa que não é possível ter confiança de que os resultados mostram o verdadeiro efeito dos tratamentos.

A certeza na evidência foi rebaixada, já que os estudos estavam em alto risco de viés (falta de cegamento dos participantes ou avaliadores, vários resultados não foram relatados e vários participantes não concluíram os estudos), os testes foram todos pequenos e seus resultados foram inconsistentes.

Conclusão dos autores

Em conclusão, não há nenhuma diferença clara no efeito sobre as taxas de patência, mortalidade ou eventos cardiovasculares ao comparar a aterectomia com a angioplastia com balão com ou sem implante de stent.

A evidência limitada disponível não apóia uma vantagem significativa da aterectomia sobre a angioplastia convencional com balão ou implante de stent.

A atualização da revisão mostra que as evidências são muito incertas sobre o efeito da aterectomia na patência, mortalidade e taxas de eventos cardiovasculares em comparação com a angioplastia com balão simples, com ou sem implante de stent.

A equipe não detectou diferenças claras nas taxas de falha técnica inicial ou TVR, mas pode haver dissecção reduzida e implante de stent de resgate após a aterectomia, embora isso seja incerto.

Os estudos incluídos eram pequenos, heterogêneos e com alto risco de viés. São necessários estudos maiores desenvolvidos para detectar resultados clinicamente significativos e centrados no paciente.

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O estudo original foi publicado pela Cochrane Library

* “Atherectomy for peripheral arterial disease” – 2020

Autores do estudo: Bethany G Wardle, Graeme K Ambler, Rami W Radwan, Robert J Hinchliffe, Christopher P Twine – 10.1002/14651858.CD006680.pub3

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