Eficácia da metformina para mulheres com síndrome do ovário policístico

Em mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) acontece uma falha crônica ou ausência de ovulação (anovulação) e produção em excesso de hormônios masculinos (hiperandrogenismo).

Os sintomas principais desta condição são menstruação irregular, infertilidade, hirsutismo (crescimento excessivo de pelos faciais e corporais) e acne. A síndrome do ovário policístico é mais comum em mulheres, afetando de 5% a 10% delas em idade reprodutiva.

A fertilização in vitro (FIV) pode ser uma boa escolha de tratamento para a infertilidade em pacientes com SOP que não reagem aos tratamentos de indução da ovulação.

No início do tratamento de FIV, a estimulação ovariana com gonadotrofinas é essencial para desenvolver oócitos mais maduros, com o objetivo de produzir mais embriões de qualidade para serem transferidos ao útero.

A superestimulação eleva o risco de desenvolver um complicação séria conhecida como síndrome de hiperestimulação ovárica (SHO).

As estratégias usadas no período de tratamentos de fertilização in vitro para abaixar o risco de SHO incluem: estimulação ovariana de gonadotrofina de baixa dose, co-tratamento com metformina, uso de protocolo de antagonista do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) ao invés de agonista de GnRH e uso de gatilho agonista de GnRH para a maturação final do oócito, no lugar do gatilho normal da gonadotrofina coriônica humana (hCG).

Objetivo da revisão

O principal objetivo da revisão foi estabelecer se a metmorfina aprimora as taxas de nascidos vivos, da gravidez clínica e diminui a incidência da síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) em mulheres com SOP que fizeram a fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

Características do estudo

Foram incluídos 13 ensaios clínicos randomizados (um tipo de estudo em que os participantes são colocados em um, dois ou mais grupos de tratamento usando um método aleatório) contando com um total de 1.132 mulheres eleitas para receber metformina (570) ou placebo (tratamento simulado)/nenhum tratamento (563). As evidências vão até o dia 13 de fevereiro de 2020.

Principais resultados

Os autores dividiram a análise de acordo com o tipo de protocolo de estimulação ovariana utilizado durante o tratamento de FIV (agonista de GnRH longo ou antagonista de GnRH curto) para saber se o tipo de estimulação usada teve influência nos resultados.

Não há certeza dos resultados da metmorfina com o agonista de GnRH de protocolo longo nas taxas de nascidos vivos quando comparado ao placebo ou a nenhum tratamento, contudo a metmorfina pode elevar a taxa de gravidez clínica com este tipo de protocolo de estimulação ovariana.

A metformina pode diminuir a incidência de SHO. Os pesquisadores avaliam que, para uma mulher com 28% de chance de nascer com vida (agonista de GnRH de protocolo longo) depois do placebo ou de nenhum tratamento, a chance após a metformina estaria entre 27% e 51%.

Para uma mulher com 28% de chance de ter uma gravidez clínica em protocolo longo com agonista de GnRH sem metformina, a chance de usar metformina seria entre 30% e 45%.

Para o protocolo curto de antagonista de GnRH, a metformina pode limitar a taxa de nascidos vivos, e sabe-se com certeza de seu efeito na gravidez clínica e nas taxas de SHO quando comparada com placebo/sem tratamento.

Em geral geral, a metformina pode diminuir a incidência de SHO em comparação ao placebo/sem tratamento. Para uma mulher com um perigo de 20% de SHO sem metformina, o risco correspondente com a metformina seria entre 6% e 14%. Os eventos colaterais (principalmente gastrointestinais) podem ser mais comuns com a metformina. Não há certeza das consequências da metformina nas taxas de aborto quando comparada com o placebo/sem tratamento.

Qualidade da evidência

A qualidade geral da evidência para os resultados iniciais – taxa de nascidos vivos e incidência de SHO foi baixa.

A equipe analisou a evidência como baixa ara a taxa de gravidez clínica de desfechos secundários (protocolo longo de agonista de GnRH), taxa de aborto e efeitos colaterais, e muito baixa para taxa de gravidez clínica (protocolo curto de antagonista de GnRH).

Os principais limites da revisão foram o risco de viés e resultados conturbados.

Conclusão

A revisão atualizada sobre metformina versus placebo/nenhum tratamento antes ou durante o tratamento de FIV/ICSI em mulheres com SOP não localizou evidências claras de que a metformina melhora as taxas de nascidos vivos: o efeito da metformina é incerto usando agonista de GnRH de protocolo longo, mas as taxas de nascidos vivos podem ser diminuídas com o antagonista de GnRH de protocolo curto.

A metformina pode aumentar as taxas de gravidez clínica utilizando agonista de GnRH de protocolo longo, mas não existe certeza do efeito com o antagonista de GnRH de protocolo curto. A metformina pode diminuir a incidência de SHO, mas pode ter como resultado uma maior incidência de eventos colaterais. A equipe não demonstrou certeza sobre a influência da metformina na taxa de aborto.

A revisão atual sobre metformina versus placebo/nenhum tratamento antes ou durante o tratamento de FIV/ICSI em mulheres com SOP não localizou provas conclusivas de que a metformina aprimorar as taxas de nascidos vivos. Em um protocolo longo de agonista de GnRH, não há certeza de que a metformina melhora as taxas de nascidos vivos, mas a metformina pode elevar a taxa clínica de gravidez.

Em um protocolo curto de antagonista de GnRH, a metformina pode diminuir as taxas de nascidos vivos, embora não exista certeza sobre o impacto da metformina na taxa de gravidez clínica. A metformina pode reduzir a incidência de SHO, mas pode acabar em uma incidência de efeitos maior. Não há certeza do resultado da metformina na taxa de aborto por mulher.

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O estudo original foi publicado na Cochrane Library

* “Metformin treatment before and during IVF or ICSI in women with polycystic ovary syndrome” – 2020

Autores do estudo: Tso LO, Costello MF, Albuquerque LET, Andriolo RB, Macedo CR – 10.1002/14651858.CD006105.pub4

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