Fisioterapia individualizada reduz a dor após cirurgia de próstata!

Durante décadas, a terapia para fortalecer os músculos pélvicos tem sido o tratamento padrão para homens que lidam com incontinência urinária após cirurgia da próstata. Mas um novo estudo dos Departamentos de Urologia, Medicina Física e Reabilitação da Universidade do Texas (UT Southwestern) sugere que essa pode não ser a melhor abordagem.

Pós cirurgia da próstata

“O estudo examinou registros de pacientes pós-prostatectomia com incontinência urinária – perda significativa do controle da bexiga ao espirrar, inclinar-se etc. – que receberam fisioterapia entre 2009 e 2014. Os pesquisadores descobriram que a maioria apresentava “hiperatividade” muscular – aperto ou espasmos musculares – em vez de apenas fraqueza muscular”, disse o Dr Kelly M. Scott, professor do Departamento de Medicina Física e Reabilitação da Universidade do Texas e primeiro autor do estudo.

“Usar o exercício na tentativa de fortalecer um músculo tenso ou espasmos pode ser contraproducente, tornando o músculo mais apertado, em vez de mais forte”, ressaltou a Dra Michelle H. Bradley, fisioterapeuta do Programa de Reabilitação Pélvica Abrangente do Departamento de Medicina Física e coautora do estudo.

De acordo com o estudo, dos 136 pacientes em terapia cujos registros foram revisados ​​para este estudo, 25 tinham apenas músculos fracos ou “subativos” na região pélvica, 13 tinham músculos hiperativos ou tensos e 98 tinham evidências de ambos.

Músculos tensos podem ser um mecanismo de proteção após lesões decorrentes da cirurgia de próstata. Parte ou toda a próstata ao redor da uretra é removida em uma prostatectomia, geralmente por causa de câncer. Mas as descobertas do estudo são contrárias à ideia predominante, de que os homens ficam com estes músculos muito fracos.

“Quase todo paciente tem incontinência imediatamente após uma prostatectomia. Mas essa porcentagem cai para cerca de 5 a 20 por cento dentro de dois anos após a cirurgia. Aqueles que não viram melhora em dois a seis meses devem procurar a fisioterapia”, diz o Dr Scott.

“O tratamento padrão tem se concentrado no fortalecimento dos exercícios, às vezes usando os chamados exercícios de Kegel que envolvem repetições de contração e liberação de músculos. Recentemente, médicos e terapeutas começaram a avaliar pacientes para determinar a terapia certa, em vez de assumir que o problema era fraqueza muscular. No entanto, existem poucos estudos, se houver algum, analisando a eficácia dessa abordagem direcionada”, salienta Dra Michelle.

“Este é talvez o primeiro estudo a analisar o tipo de disfunção muscular presente nos homens após a cirurgia. Os músculos são realmente fracos e precisam ser fortalecidos, ou são realmente tensos e precisam ser relaxados e alongados?”, relata o Dr Scott.

Fisioterapia reduz a dor após cirurgia de próstata
Exercícios de Kegel.

Após a avaliação de um terapeuta, os homens – todos pacientes do Dr Claus Roehrborn (autor sênior do estudo, cirurgião e presidente do Departamento de Urologia) – receberam terapia para relaxar ou fortalecer os músculos pélvicos.

De acordo com o estudo, em 87%, a incontinência melhorou, com 58% alcançando o que é considerado a melhora ideal com o uso de apenas duas ou menos compressas por dia.

A dor também era um problema para 27% dos pacientes, mostrou o estudo. O número de dores caiu para 14% no final da terapia, com média de um pouco mais de quatro sessões. Naqueles que ainda tinham alguma dor, o nível relatado foi reduzido.

“Este é o primeiro estudo a mostrar uma diminuição na dor pós-prostatectomia após a terapia. Se os pacientes podem ficar mais fortes relaxando seus músculos, há mais trabalho a ser feito para descobrir a melhor maneira de tratar esses pacientes”, concluiu o Dr Scott.

 

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O estudo completo com o passo a passo da terapia foi publicado na revista médica International Urology and Nephrology.

* “Individualized pelvic physical therapy for the treatment of post-prostatectomy stress urinary incontinence and pelvic pain” – 2019.

Autores do estudo: Kelly M. Scott, Erika Gosai, Michelle H. Bradley, Steven Walton, Linda S. Hynan, Gary Lemack & Claus Roehrborn  – 10.1007 / s11255-019-02343-7

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