Cientistas mostram que a aspirina pode reduzir o risco de câncer de mama

A aspirina foi chamada de droga milagrosa e alguns estudos mostraram o porquê.

Ela é acessível, seus efeitos colaterais são bem conhecidos e geralmente menores. Desde que foi desenvolvido na década de 1890, demonstrou-se que oferece uma série de benefícios potenciais, como alívio da dor, redução da febre e prevenção de ataques cardíacos e derrames.

Nos últimos 20 anos ou mais, a lista de benefícios potenciais do medicamento tem crescido, sendo um deles a possível redução do risco de câncer.

Estudos de aspirina e câncer

Vários estudos sugerem que o medicamento pode diminuir o risco de certos tipos de câncer, incluindo aqueles que envolvem o cólon, ovários, fígado e próstata.

A evidência de que a aspirina pode reduzir o risco de câncer de cólon é tão forte que as diretrizes recomendam o uso diário para certos grupos de pessoas para prevenir o câncer de cólon, incluindo adultos de 50 a 59 anos com fatores de risco cardiovascular e aqueles com tendência hereditária de desenvolver cólon pólipos e câncer.

E o câncer de mama? Vários estudos nos últimos anos sugerem que o câncer de mama deve ser adicionado a esta lista.

Estudos de aspirina e câncer de mama

Um dos estudos mais convincentes ligando o uso de aspirina a um risco menor de câncer de mama acompanhou mais de 57.000 mulheres que foram entrevistadas sobre sua saúde.

Oito anos depois, cerca de 3% delas haviam sido diagnosticadas com câncer de mama. Aquelas que relataram tomar o medicamento em baixas doses (81 mg) pelo menos três dias por semana tiveram significativamente menos câncer de mama.

O uso regular de aspirina em baixas doses foi associado a um risco 16% menor de câncer de mama.

A redução do risco foi ainda maior – cerca de 20% – para um tipo comum de câncer de mama alimentado por hormônios, denominado HR positivo/HER2 negativo.

Nenhuma redução significativa no risco foi encontrada entre aqueles que fazem uso do fármaco em dose regular (325 mg) ou outros medicamentos antiinflamatórios, como o ibuprofeno.

Outra análise revisou os resultados de 13 estudos anteriores que incluíram mais de 850.000 mulheres e encontraram:

  • um risco 14% menor após cinco anos tomando aspirina
  • um risco 27% menor após 10 anos de uso de aspirina
  • uma redução de 46% no risco após 20 anos de uso de aspirina.

Como a aspirina afeta o risco de câncer de mama?

Esses estudos não examinaram por que ou como a aspirina pode reduzir o risco de câncer de mama. Então, realmente não se sabe como isso pode funcionar.

Em estudos de câncer de mama em animais, o medicamento demonstrou propriedades antitumorais, incluindo inibir a divisão de células tumorais e impedir o crescimento de células pré-cancerosas.

Em humanos, os pesquisadores observaram um efeito antiestrogênio da aspirina. Isso pode ser importante, porque o estrogênio estimula o crescimento de alguns cânceres de mama.

Também é possível que o fármaco iniba a formação de novos vasos sanguíneos que os cânceres de mama precisam para crescer.

A genética particular das células tumorais pode ser importante, já que a capacidade da aspirina de suprimir o crescimento das células cancerosas parece ser maior em tumores com certas mutações.

Informações atuais

É muito cedo para sugerir que as mulheres devem tomar aspirina para prevenir o câncer de mama. Estudos como esses podem mostrar uma ligação entre tomar um medicamento (como aspirina em baixa dosagem) e o risco de uma condição específica (como câncer de mama), mas não podem provar que ela realmente causou a redução no risco de câncer de mama.

Portanto, há a necessidade de um ensaio clínico adequado – um que compare as taxas de câncer de mama entre mulheres designadas aleatoriamente para receber aspirina ou placebo – para determinar se o tratamento com o medicamento reduz o risco de câncer de mama.

Todos os medicamentos vêm com efeitos colaterais

É importante ressaltar que todos os medicamentos, incluindo a aspirina, podem causar efeitos colaterais. Embora ela seja geralmente considerada segura, pode causar úlceras gastrointestinais, sangramento e reações alérgicas.

A aspirina geralmente é evitada em crianças e adolescentes, devido ao risco de uma doença rara, mas séria, chamada síndrome de Reye, que pode prejudicar o cérebro, o fígado e outros órgãos.

Conclusão

A aspirina em baixas doses é frequentemente prescrita para ajudar a tratar ou prevenir doenças cardiovasculares, como doenças cardíacas e derrames.

Um estudo de 2016 estimou que se mais pessoas tomassem aspirina conforme recomendado para o tratamento ou prevenção de doenças cardiovasculares, centenas de milhares de vidas e bilhões de dólares em custos de saúde seriam salvos.

Isso pode ser uma subestimação se os efeitos anticâncer da droga forem confirmados. Mas a aspirina não é benéfica para todos – e algumas pessoas precisam evitar tomá-la.

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O estudo original foi publicado no Breast Cancer Research

* “Regular and low-dose aspirin, other non-steroidal anti-inflammatory medications and prospective risk of HER2-defined breast cancer: the California Teachers Study” – 2017

Autores do estudo: Christina A. Clarke, Alison J. Canchola, Lisa M. Moy, Susan L. Neuhausen, Nadia T. Chung, James V. Lacey, Jr, Leslie Bernstein – 10.1186%2Fs13058-017-0840-7

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