Antioxidante na planta do chá verde pode combater a tuberculose!

Segundo uma equipe de cientistas internacionais liderada pela Universidade Tecnológica Nanyang, em Cingapura (NTU Cingapura), um antioxidante encontrado na planta do chá verde pode se tornar a chave para combater a tuberculose de maneira eficaz.

Através de investigações de laboratório, a equipe liderada pelo professor Gerhard Grüber, descobriu como o composto proeminente, conhecido como epigalocatequina galato (EGCG), pode inibir o crescimento de uma cepa de bactérias causadoras de tuberculose.

Combater a tuberculose

O EGCG faz isso ligando-se a uma enzima que fornece energia biológica para a atividade celular. O processo resulta em uma queda na quantidade de energia que a bactéria possui para seus processos celulares, vitais para o crescimento e a estabilidade, como a formação da parede celular.

A equipe, que inclui o professor Roderick Bates e o professor Thomas Dick, também identificaram os locais exatos da enzima na qual o EGCG precisa se ligar para afetar a produção de energia na célula bacteriana.

Foi registrada uma patente para a identificação do EGCG como uma possível forma de tratamento para tuberculose. Essas descobertas podem abrir caminho para a criação de novos medicamentos para combater a tuberculose, uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. O Sudeste Asiático responde por 41% dos casos de tuberculose no mundo, com 4 milhões de novos casos a cada ano.

Embora já existam medicamentos direcionados ao mycobacterium tuberculosis (M. tuberculosis) – a bactéria que causa a doença transmitida pelo ar – são necessários novos, porque as bactérias estão cada vez mais mostrando resistência a muitos dos medicamentos.

O professor Gerhard Grüber, da Escola de Ciências Biológicas da NTU, disse: “Embora a tuberculose seja curável, o sucesso dos medicamentos atuais no mercado está sendo cada vez mais ofuscado pela resistência clínica das bactérias. Nossa descoberta da capacidade do EGCG de inibir o crescimento de M. tuberculosis nos permitirá ver como podemos melhorar a potência desse composto no chá verde e outros compostos similares, para desenvolver novos medicamentos para combater esta doença transmitida pelo ar “.

Como o EGCG interrompe a tuberculose

As células requerem energia para processos vitais, como a formação da parede celular. Eles obtêm sua energia de uma molécula de armazenamento de energia produzida por uma enzima chamada ATP sintase. Sem energia para a atividade celular essencial, uma célula perde sua estabilidade e acaba morrendo.

Para determinar os fatores que afetam a produção de ATP sintase e, portanto, a quantidade de energia que uma célula bacteriana possui para o crescimento, a equipe liderada pela NTU estudou o mycobacterium smegmatis e o mycobacterium bovis, ambos pertencentes à mesma família do M. tuberculosis. Essas cepas micobacterianas compartilham uma composição estrutural semelhante.

A equipe descobriu pela primeira vez que alterações no código genético da ATP sintase resultavam em uma enzima que produzia menos moléculas de armazenamento de energia nas células bacterianas, mais lento crescimento celular e um formato alterado de colônia.

Como o EGCG interrompe a tuberculoseCom esses dados, os cientistas examinaram e encontraram 20 compostos que poderiam se ligar à ATP sintase e causar o mesmo efeito de bloqueio, e depois testaram sua eficácia. Somente o EGCG, um antioxidante natural que ocorre em grande quantidade no chá verde, mostrou que tinha o mesmo efeito crucial de reduzir as moléculas de armazenamento de energia na célula bacteriana.

A equipe está agora buscando otimizar a atividade do EGCG para aumentar a eficiência e a potência no combate às bactérias da tuberculose. Seu objetivo final é desenvolver um coquetel de medicamentos para combater a tuberculose resistente a vários medicamentos.

 

____________________

Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

* “Disrupting coupling within mycobacterial F-ATP synthases subunit ε causes dysregulated energy production and cell wall biosynthesis” – 2019.

Autores do estudo: Wuan-Geok Saw, Mu-Lu Wu, Priya Ragunathan, Goran Biuković, Aik-Meng Lau, Joon Shin, Amaravadhi Harikishore, Chen-Yi Cheung, Kiel Hards, Jickky Palmae Sarathy, Roderick W. Bates, Gregory M. Cook, Thomas Dick & Gerhard Grüber – 10.1038 / s41598-019-53107-3

4Medic

4Medic

As informações publicadas no site são elaboradas por redatores terceirizados não profissionais da saúde. Este site se compromete a publicar informações de fontes segura. Todos os artigos são baseados em artigos científicos, devidamente embasados.